Como diz Ruy Castro: “A palavra cozinha, no mundo do samba, simboliza o ritmo, a batida, percussão e pulsação. A cozinha é o coração do samba. Mas a cozinha do samba é também um verdadeiro capÃtulo culinário, um conjunto de receitas e pratos tÃpicos das festas e rodas de bamba, um emblema da nossa querida baixa gastronomiaâ€. E na Comunidade do Samba da Vela não poderia ser diferente, toda segunda-feira, quando a vela apaga e é cantado o último samba, todos são presenteados com a famosa sopa preparada pelo chef Oliveira (José de Oliveira Filho), cozinheiro da comunidade, que é o homenageado e entrevistado pelo Amor ao Samba:
Amor ao samba – Oliveira, fale um pouco de você e da sua história na Comunidade.
Oliveira – eu sou um dos fundadores do Samba da Vela, a minha função aqui é com a culinária, mas eu sou cabeleireiro de profissão, desde o inicio, quando a roda foi formada no Bar Ziriguidum, foi decidido que após o samba, todo público presente tinha direito a degustar um prato preparado por mim.
Amor ao samba – Conte um pouco da sua famÃlia e da sua origem.
Oliveira – sou baiano, nascido em Cruz das Almas, vim para São Paulo com dez anos, já estou aqui há mais de trinta anos, já fui casado e atualmente estou solteiro, tenho três filhas lindas: Ana Carolina, Célia Regina e Naiara, além de dois netinhos, já sou até vovô.
Amor ao samba – Qual foi a idéia da sopa na Vela?
Oliveira – no primeiro dia que fizemos a reunião do Samba da Vela, como seria ou como não seria? Eu já trabalhava no Bar Ziriguidum, aà nesse dia, o pessoal presente: Magnu, MaurÃlio, Paquera, Chapinha e eu também, pediram para eu fazer um mocotó para ser servido após a reunião, mais tarde foi decidido que todo o público também teria direito a refeição.
Amor ao samba – O que significa para você esse movimento?
Oliveira – o samba para mim já está na veia, sempre esteve, eu acho um projeto legal porque dá a oportunidade para outras pessoas estarem sendo reconhecidas e isso eu acho muito bom.
Amor ao samba – Qual o prato mais solicitado? Aquele que todos pedem para ser servido novamente.
Oliveira – inclusive hoje, devido ao aniversário do Samba da Vela, será um dos pratos que o pessoal mais vai aderir, esse que vou fazer hoje, caldo de peixe galo, com camarão e creme de abóbora japonesa, temperado com alecrim, hortelã, manjericão, coentro e cebolinhas verdes, ao leite de coco e azeite de dendê.
Amor ao samba – Qual a homenagem recebida por você que mais marcou aqui na Vela?
Oliveira – para mim é muito importante e gratificante ser homenageado aqui, principalmente por um samba, como o Dú Oliveira e o Chapinha já fizeram para mim, mas isso é fruto plantado com bastante carinho.
Amor ao samba – Qual o samba que mais admira?
Oliveira – como eu fico a maioria do tempo dentro da cozinha, fica até difÃcil eu estar escutando os sambas, tenho que ficar concentrado na cozinha, mas quando acende a vela, eu estou sempre presente quando o primeiro samba é apresentado, cantando e batendo na palma da mão também.
Amor ao samba – E o compositor que mais admira?
Oliveira – sem sombra de dúvidas, não só por mim, mas pela grande maioria do público, que já passaram a admirar esse compositor, que é muito conhecido, não só no Samba da Vela, mas em todo o pais: o Chapinha, um grande compositor e meu amigão.
Amor ao samba – Qual o seu projeto?
Oliveira – pretendo em breve, até mesmo no final do ano, espero estar terminando meu livro de receitas: “Receitas do Samba da Velaâ€, do chef Oliveira. Também pretendo montar um restaurante, que será um projeto para ao no que vem.
Amor ao samba – Deixa uma mensagem para o sétimo ano da Comunidade.
Oliveira – que todas as pessoas presentes no aniversário do Samba da Vela tenham a consciência que esse nosso sucesso é devido a eles, por terem apostados em nós, agradeço pelo carinho e presença de todos e que essa nossa felicidade é deles também.