
Nesses tempos de violência que estamos vivendo, o mundo merece mensagens em forma de música, como as do Chapinha, compositor e um dos fundadores da Comunidade do Samba da Vela, uma figura ilustre e que não mede esforços para contribuir de forma relevante com as comunidades carentes e a nossa cultura, fiquem então com duas músicas para reflexão, “Desavenças Banaisâ€, que integrou o 1º caderno de 2005, e “Até Quandoâ€, que integrou o 1º caderno de 2007, esta última, uma homenagem ao menino João Hélio Fernandes Vieites, de apenas seis anos, que foi assassinado brutalmente na noite do dia 07/02/07, arrastado por mais de sete quilômetros, depois que o carro em que ele estava foi roubado em Oswaldo Cruz:
Desavenças Banais
(Chapinha)
Apesar das diferenças sociais
Por que tanta violência
Para cultivar o amor
Vamos semear a paz
Desse jeito não tem jeito nada feito
Se o próprio filho não respeita o pai
Por incrÃvel que pareça
Virou ponta cabeça
Desavenças banais
Muitas vezes cheguei a temer
Não haver mais solução
Ninguém pode fazer justiça
Com as próprias mãos
Nem tampouco perder
A fé no criador
Que nos ensina a amar
A dividir o pão
A não guardar rancor
Dentro do coração
Ajudar a um irmão, não é nem um favor
Cheguei à conclusão
Que só depende de nós
Basta à gente lutar
Unidos cantarmos em uma só voz
Até Quando
(Chapinha)
Até quando?
A gente vai suportar tamanha violência
Nossas autoridades não têm competência
Pra resolver os problemas da sociedade
Até quando?
Toda essa impunidade vai continuar
O glamour da maldade não pode imperar
Ir além
O mal não pode estar acima do bem
Até quando? Ô, ô, ô
Teremos que conviver com tal situação
O homem perdeu totalmente o amor
Pelo próprio irmão
Só nos resta pedir ao senhor
Que proteja João